A hiperferritinemia ou aumento da dosagem de ferritina no sangue é um achado comum nos exames de sangue e pode ter muitas causas. Ocorre quando temos valores acima de 200ng/mL em homens ou 150ng/mL em mulheres.
Uma causa frequente é a esteatose hepática, conhecida popularmente como acúmulo de gordura no fígado. O diagnóstico é confirmado por meio de exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância do abdome. A esteatose pode vir acompanhada de aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue, hipertensão arterial, obesidade, em especial com acúmulo de gordura nas vísceras. Nestes casos, é indicado tratamento visando reeducação alimentar, redução no consumo de álcool, prática de exercícios físicos e controle dos níveis de gordura e açúcar no sangue.
É um erro comum pensar que a redução do consumo de carne vermelha e leguminosas como o feijão encontra-se indicado no tratamento da hiperferritinemia. Porém, na maior parte dos casos isso não é necessário. Caso a hiperferritinemia seja associada à esteatose hepática, o indicado é reduzir o consumo de álcool, açúcar refinado e outros carboidratos simples, além de gorduras saturadas, como frituras.
A ferritina também pode se elevar em casos de inflamação prolongada, como doenças autoimunes e infecções. Estes diagnósticos requerem avaliação clínica minuciosa, com exame físico detalhado e exames de sague, como a proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação.
A hemocromatose hereditária é uma doença genética que pode estar presente em até 4 pessoas em cada 1000. Ela gera um aumento da absorção de ferro pelo intestino ao longo de toda a vida, culminando com o acúmulo desse mineral em órgãos como fígado, pâncreas, articulações, pele e coração. Quando não tratada, pode gerar doenças graves como cirrose, diabetes mellitus e até câncer no fígado. O diagnóstico é feito com base na pesquisa de mutações através de exame de sangue. O tratamento se baseia nas flebotomias terapêuticas, comumente chamadas de sangrias, que consistem na retirada periódica de sangue através das veias dos braços.
Causas mais raras de hiperferritinemia podem incluir anemias congênitas, como talassemia e anemia falciforme, anemias adquiridas, como a síndrome mielodisplásica, transfusões de sangue frequentes ou reposição excessiva de ferro pela veia. Nestes casos, o tratamento se baseia no uso de quelantes de ferro, que são medicamentos que auxiliam o corpo na eliminação do ferro.
O profissional indicado para investigação e tratamento da hiperferritinemia é o hematologista. Agende sua consulta e esclareça todas as suas dúvidas!
Thaís Barbosa Rodrigues – CRM MG 78812 / RQE63492

